ULTIMA
IDA A HEIDENHEIM
I
Breve apontamento:
- Aeroporto de Memmingen, Munique,
vinte e seis de Maio de dois mil e onze, quinta-feira, cerca das vinte e uma
horas!
Era a primeira vez que a chegada
naquele aeroporto, a cerca de quarenta quilómetros de Heidenheim e a mais de
cem de Munique, por estranho que pareça era a Munique que o aeroporto servia!
Esperavam-me a Susana e o Boris!
Como era hora de jantar e os
restaurantes estavam fechados, foi num Mac Donald’s de uma pequena localidade
de que não fixei o nome e rumámos a Heidenheim.
Assim se inicia a quinta viagem à
Alemanha, a primeira a Berlin e as quatro últimas a Heidenheim.
- Digo, de difícil localização e
origem, parecia pairar na noite mal iluminada das duas povoações onde parámos,
para tentar comer.
Devia ser da devido à descompressão da
cabine do avião.
- Segundo dia, vinte e sete,
sexta-feira:
O Boris completaria quarenta e quatro
anos; a festa estava programada para sábado, com churrasco à Boris, no terraço.
O casal, amigo do casal SB, que eu
conhecera em Pera, no Algarve, no passado ano, só a Ângela estaria no
churrasco, o marido iria para a China, em trabalho. Por isso fomos jantar, os
cinco, num dos mais que muitos restaurantes de Heidenheim.
- Terceiro dia, vinte e oito, sábado!
O dia da grande farra!
A chegada dos convidados, vinte e
quatro, estava prevista para as dezasseis horas e a pontualidade foi quase
“britânica”, como há anos se dizia e deixou de ser usado desde que o Big Ben
teve uma pane na engrenagem; ou seja, a pontualidade era do mais mostrado
relógio do mundo, mas nem tanto dos súbditos de Sua Majestade! Ali, a
pontualidade, era germânica, neste caso para dar pasto à gula.
Alguns eu já conhecia: o casal
brasileiro, C e O e a amiga que no ano anterior me “salvou” em Albufeira e que
o esposo tinha ido para a China; a Gi e o Filipo. Os restantes, uns familiares
do Boris e outros colegas de trabalho ou da “salsa”.
Foi muito bom e até teve, quase no
final, uma surpresa: uma mostra de dança do ventre, executada por uma
professora de dança de salão. Antes, o baile, foi mais uma de salsa e outras
danças.
No ar continuava uma camada densa,
daquele tipo que faz prever ou antecede uma trovoada sem raios e sem trovões.
O casal brasileiro dormiu lá em casa,
assim como a Gi e o Filipo. Eu mudei para o espaço no final da escadaria, de
que gostei muito! Tem só uma parede que é a da casa de banho que serve o piso
mais perto do céu. O resto era um varandim que dava para a escada e para a
porta do quarto dos S e B.
- Quarto dia, domingo, vinte e nove:
A Gi e o Filipo, regressaram a Berlin
e já antes tinha voltado para sua casa, o casal brasileiro, C e O, sempre
divertido.
O jantar teve a participação e
demonstração de novidade gastronómica da Ang..Sem ser muito claro o “clima” era
aceitável.
- Quinto dia, 2ª feira, dia 30/5
Sem grandes novidades durante o dia,
no final a atmosfera ficou mais densa, mas a causa, se causa havia, eu não a
conhecia, era mais uma sensação, que poderia ser atmosférica. A Ang. foi jantar
connosco, não devia estar muito habituada a estar só e aproveitava.
- Sexto dia, 3ª feira, dia 31/5
Ainda atribui a sensação, que
persistia, ao cansaço da Su, por me ter cruzado com ela, a sair do escritório
do Boris, no piso de cima e com ar de quem se tinha acabado de levantar!
Alguém foi expulso da barraca, esta
noite? Em tom de brincadeira, só podia!
- O B estava a “roncar” alto e eu
raspei-me para dormir um bocado! Respondeu.
O dia decorreu sem nada de especial,
só alterada pela presença da Ang. Amizades são assim, um amigo mais nunca é
demais, mas também cansam, quando demasiado presentes!
- Sétimo dia. 4ª feira, dia 1/06
Era dia de salsa, ou melhor, noite.
Jantar e de seguida até à margem do Brenz, com Ang.
Dançavam todos com todos,
mas alguns todos mais que todos; a conclusão a que cheguei era a de que, quem
estava mais atrasado, procurava salsar com que melhor salsasse. O professor
iniciava sempre a aula com um pequeno aquecimento de dança já aprendida e
depois ensaiava mais uns novos passos que os aprendizes iam ensaiando.
Eram, como disse, os que mais sabiam
os mais procurados pelos que sabiam menos; um casal jovem não dançavam a não
ser um com outro e um par de mulheres, já entradotas, também não cediam o lugar
a mais ninguém!
O professor, além de apreciar e
corrigir, dava também sugestões sobre com quem deviam dançar melhor. Uma vez
que é o homem quem deve conduzir.
À Su não faltavam pares com quem
dançar e como alguns pareciam mais hábeis, ela aproveitava para melhorar! A
Ang. iniciada no sábado á noite, parecia ter jeito e aprendia depressa, disso
se encarregando o BB, uma vez que ela não conhecia mais do que o casal e o
professor, e outro casal, que tinham estado no churrasco de sábado.
Era um ambiente descontraído, até
agradável para muitos dos frequentadores.
- Oitavo dia, 2/6 – 5ª feira
Feriado e inicio de ponte até 2ª
feira.
A Su, alegando querer ver um programa
de televisão de que só ela gostava, levou o televisor que esta no meu aposento
e deixou um papel na minha cama a dizer isso mesmo! Passou de um estremo do
corredor para o outro, para o espaço designado por escritório de BB,
Quando me levantei já o pessoal girava
na sala, a preparar o primeiro almoço; quando passava em frente à porta do
escritório, a porta estava entreaberta e o sofá-cama aberto e com aspeto de ter
sido usado.
O silêncio entre o casal mantinha-se e
eu não gostava de quebrar silêncios, por ter pelos meus um respeito muito
grande.
No domingo anterior tivemos a nossa
“discussão” por causa das eleições em Portugal e a questão ideológica; como era
costume nunca chegávamos a acordo e abandonei o assunto por estéril. Já outras
vezes temos tido o nosso desaguisado e algumas vezes esqueço que gosto de a
chatear e ela a mim ainda mais. Sinto-me mais amigo nessas alturas e já tenho
manifestado sentir saudades desses momentos.
- Nono dia – 6ª feira, 3 de Junho
A Su foi trabalhar; para ela não era
feriado; eu e o Boris ficámos em casa.
Tomámos o pequeno almoço e fomos a
casa da Ang, duas ruas abaixo. Comemos uns doces que ela fazia bem, mostrou-me
a casa, de que gostei muito, sobretudo de alguns pormenores do andar de cima,
revelavam bom gosto e tendiam para a sedução, sobretudo a casa de banho.
Entrámos na garagem onde estavam 2
bicicletas com aspeto de pouco uso e devia tratar-se de algum negócio, mas que
não percebi, por falarem só alemão.
De seguida fomos ao Super e dali para
umas bombas de gasolina
onde atestou e meteu o carro a lavar.
Falou-me na vontade da Su comprar casa
ou apartamento em Portugal, tendo já reiniciado a pesquisa pelas imobiliárias.
A habitação em Portugal só se fosse
para ela viver, uma vez que ele teria que continuar na Alemanha. Em Berlim
tinham o apartamento alugado e o da Gi ia ter de o ser também, agora que ela
deixa de o usar, por estar já a trabalhar; e mais não entendi.
No espaço de tempo em que o BB pagava,
telefonou a Su a perguntar se estava tudo bem. Tudo de “vento em popa” tendo em
conta a explicação do termo que fiz ao BB na véspera. De seguida ele foi para o
ginásio e eu, para não estar aquele tempo à espera, disse-lhe que ia dar uma
volta por aquele lado da cidade e fui beber uma Cuba Livre, celebrando o 3 de
Junho de 2003.
Já em casa, todos.
Quando estávamos a falar do entusiasmo
da Su em comprar em Portugal, o BB, naquela sua voz arrastada, perguntou, a
brincar: José, vamos comprar um terreno com oliveiras ou um monte com ovelhas?
Ri, sem grande vontade, por me parecer que estava a meter-se com a Su.
A certa altura, ainda cedo, a Su subiu
ao piso de cima e fechou a porta do escritório onde tinha dormido na noite
anterior.
Ainda ficámos a ver televisão, mas foi
só até ele ver as noticias num dos canais. Bebemos um Porto e fomos cada um
para seu lado, ele para o seu quarto e eu para o meu. Gosto de dizer meu quarto
por achar divertido ser um sem-abrigo com quarto em HdH. Germany. Lembro-me sempre
daquela anedota do sem abrigo, a dormir num dos bancos da Avenida da Liberdade,
interpelado pelo policia de giro, que lhe fez aquelas perguntas de policia:
qual o seu nome, o que faz e quando perguntou a morada o sem abrigo respondeu:
“ sem quarto na avenida e por baixo de
mim mora outro!” e ria ao ver o guarda e fazer um esforço imenso para perceber
aquela morada!
Décimo dia, sábado, 04/06:
Desci só depois de a porta do
escritório estar aberta e perceber que já não havia movimento lá dentro,
Tomámos o pequeno almoço juntos,
arrumámos a loiça e os componentes no frigorifico e o BB pegou no PC e começou
a trabalhar; algum tempo depois levantou-se e dizendo que tinha de ir para a
Voith por lhe faltarem dados que só lá os teria, meteu-se no carro e saíu.
Quase de imediato a Su perguntou-me:
Vamos para Berlin?
No teu carro? Perguntei!
Fazeres esta distância toda não será
cansativo demais? Retorqui?
Então vamos para o Lux.!?
Propôs/informou!
Sempre é mais perto, disse.
- Vá preparar o que levar para lá
ficarmos!
Sempre gostei de surpresas e vindas da
Su gosto mais ainda. Enquanto fui ao piso de cima e desci, a Su escreveu,numa
folha A 4 dobrada, uma mensagem para o BB, que deixou em cima da mesa, escrita
em alemão e sublinhando uma parte do texto, descemos e partimos.
Reparei que ela e eu olhámos para o
pequeno largo onde o casal AW morava.
Atestámos o WW, alimentou de estradas
o GPS e partimos em direção à fronteira.
A base de suporte do GPS estava avariada
e eu o levaria nas mãos ou apoiado nas pernas, voltado para a Su! Ao mais
pequeno safanão ou distração ou impulso, apagava-se tudo e lá vinha a reprimenda: como era ?! Que
vontade de me-o esmurrar. Esta cena repetiu-se várias vezes e sempre levei que
contar!
Apanhámos, uma bruta trovoada logo à
saída de HdH e outra, ou a mesma, uns quilómetros antes da fronteira com o Lux,
a ponto de ser impossível transitar, ou quase, pois foram minutos vários a
passo de caracol.
Cerca de 2 horas andadas o tel. da Su
tocou; olhou, viu quem era e não atendeu, monologando se não sabia que
estávamos na autoestrada! Voltou a tocar e a atitude foi igual. De seguida
tocou o meu: é o Boris, não atenda, eu depois mando SMS quando chegarmos ao
Lux.
Quase de seguida o tel. Da Su tocou e
ela atendeu e apercebi-me que era a Cin que na véspera ou antevéspera tinha
caído da bik e partido um pé. Não percebi do que falaram, mas deu para perceber
que era tema já antes ventilado, entre ambas.
A Su explicou que tinha deixado um papel
a dizer para onde ia e não sabia o tempo que ia ficar.
Estava i
rritada e implicativa,
acabando por lhe perguntar se estava cansada ou chateada ou as duas coisas.
- Olhe, não sei, mas sei que vai
passar, respondeu.
Já no Lux nova trovoada, ainda mais violenta!
A Ter não estava a contar connosco e estava numa sardinhada com amigas e nós
ficámos, dormindo lá em casa: a Su, no quarto da Ter. E eu na sala, num colchão
de praia.
De manhã tudo estava resolvido e
depois de tomado o PA a Su foi comprar umas coisas num minimercado de um
português, tendo eu ficado no largo, a tomar conta do Baxi, que conhecia bem o
espaço! Foi andando, a trote, cheirando, levantando a perna e mijando,
esgueirando-se por um caminho, paralelo ao Largo; como não tínhamos marcado local
e hora de encontro, deixei o Báxi à vontade e eu só o seguia.
Acabámos por nos desencontrar e só não
houve reprimenda não sei porquê, mas queixou-se de que tinha andado a
procurar-me, quando estávamos bem perto uns dos outros.
Voltámos a HdH e agora sim, o namoro
ficou mais aceso e ousado.
Décimo dia-Era domingo ! E dia de
eleições em Portuga!
Dia 5/6.
Com o casal em plena “lua de mel”,
fomos visitar uma cidade, de que não anotei o nome e preparar-nos para o
churrasco do dia seguinte.
A Lena comunicou os resultados
eleitorais e a Su teve outra oportunidade para atacar a ignorância politica e
acomodação dos portugueses.
Décimo primeiro dia - Segunda-feira,
6/6 –
O churrasco correu bem e tudo voltou à
rotina anterior; só o casal, ele sobretudo, tentava deixar bem vincado que as
dúvidas, se dúvidas houve, estavam longe e para sempre! Amen !
Décimo segundo dia – sem registo e
seguintes também !
Domingo, 12/06 –
Com o casal, Andreas/Eva, fomos
visitar um dos palácios de um senhor feudal, onde está guardada a maior coleção
europeia de armas de caça e de batalha e acessórios, existente na Europa
Central!
Como há cópias em miniatura das
espadas, foi ali que comprei a espada para o Mateus!
2ª feira, dia 20/06
De relevante só o almoço no chinês,
com a Su, tal como no dia a seguir à minha chegada!
3ª feira, dia 21/06
Regresso a Portugal.
Foram ao Supermercado e, ali, como
durante a viagem e depois na gare, a Su perguntava?
Você não se esqueceu de
nada? E ainda hoje não sei se esqueci ou não de algo. Mas ela sabe. Como o
bloco-notas de capa roxa “desapareceu”, ainda lhe perguntei se teria sido esse
o esquecimento.
Apareceu, no dia seguinte, junto com
os boxers na gaveta
Só resta uma suspeita, mas não a
registei! Fica pendente, pode ser que me recorde ou que a Su me diga!
Assim tem sido a minha vida de
vagabundo, sem abrigo e com um pendor miserabilista!
Prometi, no dia das eleições, que não
voltaria a sair de Portugal, enquanto o seu bom nome não for reposto!
Nota final, acrescentada hoje, dia
19/07/17- quando terminei a digitalização!
A minha máquina orgânica deu a ajuda
que precisava, anunciada a 29 de Fevereiro de 2012: o linfoma mobilizador!
José Monteiro
Sem comentários:
Enviar um comentário